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[Alguns links com alguns comentários]

Menino do Acre reaparece após mais de quatro meses. Lembrando que o “menino” é um estudante de 25 anos que escreveu 14 livros esotéricos criptografados com a cifra mais tosca da Terra, e cujo sumiço mostrou-se ter sido uma jogada de marketing para vender os manuscritos. Funcionou, pelo visto: o primeiro livro (TAC: Teoria de Absorção de Conhecimentos) atingiu o 20º lugar em vendas de não-ficção segundo o PublishNews. E o segundo volume, humildemente intitulado Caminho para a Verdade Absoluta, vem aí. Brasileiro é tão fácil de enganar.

Para a surpresa de ninguém, a Assembléia Constituinte convocada por Nicolás Maduro na Venezuela ratificou sua permanência na presidência. A Assembléia terá poderes plenos para instaurar de vez a ditadura reformar a democracia (cof, cof) venezuelana. Lembrando que o PT, o PC do B, e o PSOL divulgaram notas de apoio ao regime; nenhum, porém, explicou porque acha que a maravilhosa Constituição chavista, que eles tanto louvaram nos últimos 15 anos, deveria ser descartada agora, em meio à crise econômica e à desconfiança no governo.

Mulher reage a assalto em Fortaleza, espanta os bandidos, e o G1 está preocupado em nos dizer que reagir a assalto é errado. Como assim errado? Arriscado, sim; imprudente, talvez. Mas errado, de jeito nenhum. É triste ler o que escreve essa moça corajosa cuja bravura é censurada pela imprensa e pela polícia:

“Já fui assaltada cinco vezes. Em todas elas eu reagi. Em todos os casos. Eu sei que é errado. Agora vou tentar me corrigir e pedir a Deus mais calma. Agradecer por eles [os ladrões] não terem uma arma e me agredido. Vou tentar me corrigir”, afirma a costureira.

Não moça, quem precisa se corrigir são os vagabundos que tentaram te roubar. Você só precisa ser mais prudente – se bem que quem se livra de cinco assaltos podemos confiar que sabe o que está fazendo.

O aplicativo de edição de fotos FaceApp introduziu um filtro que permitia alterar a etnia do rosto do usuário. Pessoas normais acharam divertido; pessoas militantes acharam horrorosamente ofensivo, e fizeram tanto barulho que o filtro foi retirado do ar sob acusações de racismo. Aparentemente, retratar uma pessoa de uma raça com aparência de outra é o suprassumo do racismo hoje em dia. Quero só que fique registrado o quanto a luta contra o racismo deixou de lado o que era relevante para cair no completo ridículo.

Ao mesmo tempo em que o FaceApp era acusado de racismo, a Netflix escalava um ator negro para o papel de Zeus em uma série sobre a guerra de Tróia, e a BBC produzia um desenho animado educativo sobre o período romano da Grã-Bretanha incluindo um romano afrodescendente (qual a chance disso?) como representante típico da diversidade do período (sobre este último caso, ver o comentário do Nassim Taleb). Aparentemente, essas representações racialmente errôneas não contam como racismo para a mesma militância que atacou o FaceApp.

Tribunal Popular julgará a Operação Lava-Jato em Curitiba. Parece grande coisa, mas vamos lembrar que este “tribunal” é apenas um congresso de juristas pró-PT que se autoconcedeu o nome pomposo e se arroga o direito de chamar suas opiniões de “julgamento” – não é um tribunal de verdade com autoridade sobre o que quer que seja. Ridículo, não? Mas perfeitamente normal para um partido que reuniu um congresso de juristas sob patrocínio da Via Campesina, nomeou-o Tribunal Internacional para a Democracia, e o mandou conduzir um “julgamento” sobre o impeachment da Dilma em que até o acusador, o brizolista Nilo Batista, tinha vínculo com o PT. O resultado, evidentemente, foi a conclusão de que impeachment era golpe, e o alardeamento do resultado como se fosse uma sentença de algum tribunal de verdade, e não a opinião de meia dúzia de partidários.

O Coletivo das Mulheres de Relações Internacionais da UFF (ai, ai) emitiu uma nota de repúdio (que mais esses coletivos fazem mesmo?) contra o consumo de pornografia, afirmando que “é problemático mantermos no corpo docente do INEST funcionários que, para além de consumirem pornografia – se apropriando do corpo feminino em situação hiperssexualizada, sob infeliz respaldo de que sua conduta configura luta política – silenciam, coagem e perseguem alunas que expõem ponto de vista que contraria sua convicção“. Confuso? Eu explico: elas estavam reclamando de um professor que admitiu consumir pornografia em casa, e que não deu bola para as reclamações indignadas delas. O COMRI-UFF é basicamente uma versão moderna dos puritanos. Via AJS no Facebook.

Enfim temos uma resposta à altura para as irritantes tirinhas do Armandinho: Afonsinho, um moleque tão mala quanto o Armandinho mas que se ferra no final. Já que a Morrendo Violentamente foi censurada por questões de copyright, teremos que nos contentar em matar a paródia do infame problematizador infantil.

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